Turismo Solidário no Complexo do Alemão
O Brasil e o Rio de Janeiro vivem momentos especiais com a aproximação dos grandes eventos (Rio + 20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas) no que se refere à visitação turística. Sabemos que alguns turistas desejarão visitar as favelas do município com o objetivo de conhecer melhor o modo de vida e o jeito de “ser carioca”.
Desse modo, nós, das Associações de Moradores do Morro dos Mineiros, do Morro da Esperança e do Clube do Cidadão Professor Matriz começamos organizar as atividades turísticas na região do Complexo do Alemão. Para isso, nos tornamos parceiros e parte da equipe do “Projeto Brasilidade Solidária”, pois sabemos que os turistas podem trazer benefícios aos moradores da favela, mas também podem apenas passar pela mesma em motos, carros, vans ou caminhando, sem contribuir com o desenvolvimento local da região, assim como acontece em outras favelas do Rio de Janeiro.
Visto isso, decidimos trabalhar com o turismo solidário, que é considerado uma estratégia de desenvolvimento socioambiental pautado ao mesmo tempo nos saberes local e na ideia de sustentabilidade. Nessa modalidade de turismo, consideramos a possibilidade dos turistas contribuírem com o início de um processo de melhorias nas condições socioambientais das localidades visitadas ao trocar experiências com a sociedade local e gerar renda.
Vale ressaltar que a utilização do termo “solidário” não se refere ao simples assistencialismo e a caridade, mas sim a uma postura que precisa ser adotada nos encontros entre turistas e população local. Com esse tipo de comportamento será promovido o clima que resolvemos intitular de “brasilidade solidária”, no qual o turista sente-se acolhido e retribui com ações socioambientais, palestras e recursos financeiros.
Com objetivo de organizar o turismo solidário e proporcionar o estabelecimento do clima amistoso de “brasilidade solidária” com respeito mútuo e reconhecimento recíproco, solicitamos que:
As empresas envolvidas na atividade turística que se identifique com a proposta do turismo solidário destinem parte dos recursos obtidos com os turistas para as Associações de Moradores como parte de sua responsabilidade socioambiental. Estes recursos serão utilizados com objetivo de melhorar os serviços turísticos na comunidade, proporcionar uma melhor hospitalidade aos turistas e ajudar na manutenção dos projetos comunitários das associações.
A utilização do termo “Brasilidade Solidária” é uma estratégia de marketing que irá beneficiar as empresas envolvidas (dedução no balanço social da empresa), assim como a localidade, que busca atingir um público específico, ansioso por um maior contanto com a população local, gerando, desta forma, experiências que garantam a qualidade da sua viagem. Os destinos que queiram engajar-se na proposta poderão trabalhar com os seguintes indicadores:
1. Proporciona uma convivência de no mínimo duas horas por dia entre o turista e a população local, independente de ações voluntárias, e cria condições para que aumente o grau de intimidade no encontro;
2. As empresas e/ou todas as parcerias que atuam no campo do turismo solidário são avaliadas e monitoradas pelas Associações de Moradores;
3. Propõe roteiros inovadores com base nos saberes locais que envolvam ações sociais e visitas às associações comunitárias e seus projetos
4. Forma monitores locais para acompanhar os turistas na favela;
5. Elabora diretrizes que indicam trabalhos no campo da economia solidária (a Economia solidária trabalha seguindo os pressupostos da cooperação na organização do trabalho) e dos arranjos produtivos locais (os arranjos produtivos pressupõe o estabelecimento de parcerias entres os prestadores de serviços);
6. Disponibiliza informações aos turistas relacionadas à responsabilidade social dos empreendimentos envolvidos na atividade;
7. Possui uma política de reprodução da tecnologia social empregada;
8. Realiza campanhas de marketing e busca parcerias institucionais para atrair visitantes.
9. Promove ações de sensibilização ambiental
Os indicadores servirão como base para que possamos acompanhar e avaliar o desenvolvimento do turismo solidário na região do Complexo do Alemão. Eles são nossas diretrizes, refletem o turismo que queremos e podem ser instituídos em outras favelas do Rio de Janeiro.